caderninho

quinta-feira, julho 09, 2026

atualizações: #2

tenho passado muito tempo me questionando quem sou eu fora do trabalho. a rotina puxada tem me feito desassociar um pouco. sinto que costumava ser uma pessoa muito mais interessante do que tenho sido.

a rotina tá mais puxada que nunca. para um breve contexto: estamos passando por uma grande migração na empresa, e a equipe da qual faço parte é ponto-chave para o sucesso (ou fracasso) de um projeto que talvez dite como as coisas andem para a companhia nos próximos meses. não sou uma pessoa que reage bem sob pressão e não sei se estou tão habituado a ter gente esperando que eu performe bem em situações assim. tô repetindo o mantra "eu não trabalho num hospital" constantemente na minha cabeça como tentativa de diminuir a ansiedade que vem me assombrando.

soa injusto pensar que tenho que repetir toda essa rotina, que vem me endoidando, por mais uns 40 anos se quiser talves me aposentar.
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essa semana saiu o confession ii, da madonna. meio doido pensar nela enquanto figura pop, realmente uma artista fora da curva no que diz respeito a ser referência. ter quase 50 anos de carreira, quase 70 de idade, e ainda assim lançar um trabalho que dita tendências e soa novo não é para qualquer um. acho que vale a pena dar o play.

não tenho consumido muita mídia. acho que estou atravessando uma fase um pouco estranha por aqui. acho que ser bombardeado de informação a todo momento, mais o fato de o dia a dia no serviço ser basicamente uma rotina de usar toda a minha capacidade intelectual para resolver problemas, me faz querer apenas existir sem consumir nada, o que, para mim, é um grande problema.

não deveríamos normalizar esse sentimento em torno de estarmos esgotados a ponto de não querermos mais buscar referências que não sejam sinônimo de desenvolvimento profissional. o que aconteceu com apenas consumir coisas de que gostamos e que ajudam a construir nossa personalidade? esse papo de "queria ter um cérebro liso" (e de fato estarmos emburrecendo) talvez seja um dos sintomas mais alarmantes de se estar vivendo o último estágio do capitalismo.

tenho passado por um período de maus hábitos por aqui, tendo que constantemente me lembrar de que limites existem e que respeitá-los é uma sabedoria que poupa muita coisa.

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vi, hoje mais cedo, que o instagram agora possui uma inteligência artificial para geração de deepfakes com fotos de perfis públicos na plataforma (link da notícia), o que, em outras palavras, quer dizer: estão agora usando o rosto de quem posta fotos no instagram para fazerem o que bem entenderem, sem que seja necessário um consentimento claro para isso. me assusta demais pensar o quão normalizado é o uso de coisas do tipo e como a grande massa não está nem aí para isso. sentimento de que estamos todos vivendo em uma grande distopia.

tenho saudades de quando estar online era algo positivo e de quando as redes sociais tinham propósito para além de comercializar dados e otimizar a venda de produtos e publicidades. sinto falta de ter um espaço onde conseguisse me atualizar da vida dos meus amigos de uma forma genuína, sem a preocupação de ter um algoritmo por trás calculando cada interação que faço na tela do meu celular.

mexendo em umas coisas antigas há uns dias, achei aqui em casa uma cybershot e fiquei mega animado com isso, pois, para minha surpresa, ela ainda funciona e está em quase perfeitas condições.

luna sendo cobaia no teste da cybershot
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como não tenho consumido nem feito muitas coisas ultimamente, deixo aqui uma lista de coisas que quero fazer nas próximas semanas:
  • assistir ao filme backrooms
  • ir até a galeria metrópole e comer o sanduiche da la baguette
  • começar uma nova leitura
  • cancelar a matrícula na academia e arrumar um outro lugar para treinar
  • escutar o álbum aurora, da banda yes (recomendação de um colega do escritório: disse que eu ia gostar já que gosto de pink floyd)

3 comentários:

  1. antigamente nós usávamos o termo "entrar na internet" e hoje em dia estamos imersos nela o tempo todo e talvez por isso nos cansamos mais rápido. infelizmente muitas pessoas só tem o online como escapatória para "descanso", mesmo sabendo que isso não é descanso algum. é triste pensar sobre isso porque poderíamos falar por horas e abrir um leque de tópicos a respeito...

    espero que faça um post para falar de backrooms depois, hein!! tô querendo assistir também.
    beijo! ♥️

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  2. Oii! Eu volta e meia penso na época do msn quando dava para falar para os amigos que "vou estar online as 20h", mandar mensagens e depois ficar off de novo. As coisas pareciam ser muito mais fáceis e as noites muito mais longas. Aqui em casa também passamos por essa fase de ficar extremamente biruleibe das ideias por causa de trabalho e o que mais tem ajudado foi deixar o celular de lado e conversado mais pessoalmente com pessoas que a gente quer ter por perto.
    Saber disso do Instagram já deu vontade de deletar minha conta :(

    Torço para que você tenha conseguido descansar e esse projeto grande tenha dado certo!!
    Fique bem!

    Abraço
    https://falacatarina.com/blog/

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  3. Eu entendo tanto, tanto, tano seu sentimento no início do post... Nos últimos anos venho repetindo "a gente não transplanta coração" sempre que tudo na minha frente parece irremediavelmente urgente, porque no fim das contas nada que não seja, como você disse, algo primordial como um hospital, é urgente.

    Enfim... Vou seguir a sugestão do seu amigo e ouvir esse álbum também!

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